sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Primeiro Monge Brasileiro na Tradição de Thich Nhat Hanh

Com muita alegria informamos que neste mês de Novembro de 2009, foi ordneado na França, o primeiro monge brasileiro na tradição de Thich Nhat Hanh.

Sob o auspicioso nome de “True River of the Dharma” (Chan Phap Giang), ele já se é considerado nosso “Brother Amazon”.

Muito Brasileiro. Samuel Cavalcante é do Ceará, muito dedicado aos ensinamentos de Thay, atualizava o site http://interserblog.blogspot.com/.

Grande amigo, gentil, amoroso, inteligente, por aqui, irradiamos emoção e alegria com a ordenação.

Na foto, Vitor e Lili, abraçando Samuel.

Com Brother Amazon

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Caminhada Meditativa

Este domingo, 11h, após nossa meditação das 09h, estaremos juntos no Parque Barigui, com os amigos do Zen no Parque, para a caminhada meditativa com os monges enviados por Thich Nhat Hanh, o local de encontro está no mapa abaixo.

sábado, 5 de setembro de 2009

Agenda de Encontros

Agenda de Encontros:

16/09-Quarta – 19h*
Local: Espaço Navrattna
Rua Barão de Guarauna, 673 (como chegar)
Vegetarianismo e Espiritualidade
A Experiência Vegana dentro dos Mosteiros

17/09-Quinta – 20h*
Govardhana Yogashala (como chegar)
Espiritualidade Engajada
Católicos e Budistas revivem
o diálogo entre Thomas Merton
e Thich Nhat Hanh

18/09-Sexta – 15h30* e 19h*
Espaço Himalaias (como chegar)
Lançamento do Livro de Thich
Nhat Hanh: Transformação e Cura
Presença de Lama Rigdzin, Lama
Yeshe, Monge Kendo e Enio Burgos

19/09-Sábado – 19h*
Comunidade Zen da Praça do Japão (como chegar)
Ética para um Novo Mundo

20/09-Domingo de Plena Atenção
09h – Meditação Silenciosa no Ciência Meditativa do Batel (como chegar)
11h – Caminhada Zen no Parque Barigui
16h* – Encontro de Praticantes, “Construindo juntos
uma Comunidade” no Govardhana Yogashala

Informações: www.pazacadapasso.org
F.41-32426699 ou medite@pazacadapasso.org
Contribuição: Cada evento com *
terá o valor de R$30, inscrição no local

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Folder Eletrônico da Visita dos Monges 2009

Clique na figura abaixo, e você terá ele no tamanho original.



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Em chamas pela Paz


Texto de Thich Nhat Hanh sobre o famoso protesto de 1963 em que monge queima o próprio corpo e permanece estável em meditação.

O monge Thich Quang Duc foi a primeira pessoa a se auto-imolar como um ato de protesto durante a guerra, em 1963. Ele queria que o mundo se tornasse consciente da perseguição aos budistas no Vietnã. O presidente Dinh Diem, um católico, tinha banido a celebração do Vesak, o aniversário do Buda. O Natal era o feriado nacional em um país onde 90% da população praticava o Budismo, mesmo assim fomos proibidos de celebrar o Vesak. Thich Quang Duc envolveu-se na movimento de não-violência para restaurar os direitos humanos e a liberdade religiosa. Ele escreveu muitas cartas compassivas, implorando ao governo para parar a perseguição aos budistas, mas a repressão continuava. Certo dia ele pediu a outro monge para levá-lo até a um movimentado cruzamento no distrito de Cholon em Saigon. Ele esparramou gasolina em sim próprio, sentou na rua em posição de lótus, e riscou um fósforo.

Em algumas horas as imagens do corpo queimando do monge foram publicadas em jornais em muitos países. Desta forma pessoas do mundo todo souberam sobre a perseguição e sofrimento do povo vietnamita. Um mês ou dois depois, o regime de Diem caiu por força dos militares, e a política de discrimanação contra budistas terminou.

Eu conheci Thich Quang Duc pessoalmente. Com um jovem monge eu praticava com ele na Sangha no Vietnã Central, e por um tempo eu estive em seu templo perto de Saigon. em 1963, eu estava em Nova York ensinando na Universidade de Columbia, e eu soube de sua morte através de um artigo e foto no New York Times. Muitas pessoas me perguntaram, “Não é um tipo de violação do preceito Budista de não matar?” Então eu escrevi ao Reverendo Martin Luther King Jr. uma carta explicando que o ato do monge não era um suicídio. Um suicida é alguém que está tomado pelo desespero e que não quer viver mais. Eu conheci o amor de Thich Quang Duc pela vida, e o desejo que tinha por seus amigos e todos os seres de viverem em paz.

Quando Jesus morreu na cruz ele o fez pelo bem dos seres humanos. Este sacrifício não foi feito por desespero, mas pelo desejo de ajudar, oriundo do grande amor pela raça humana. Isto foi exatamente o que motivou Thich Quang Duc. Ele não agiu por desespero mas por esperança e amor. Ele era livre o suficiente para oferecer seu corpo de maneira a transmitir uma mensagem ao mundo de que o povo do Vietnã estava sofrendo. Por causa de sua grande compaixão, ele foi capaz de permanecer firmemente sentado enquanto as chamas o tomavam, em perfeita meditação, em perfeita concentração.


Thich Nhat Hanh, Ação Pacífica, Coração Aberto, trecho do cap. 18

Carta de Luther King sobre Thich Nhat Hanh


25 de janeiro de 1967

Ao Instituto Nobel
Drammesnsveien 19
Oslo, Noruega

Senhores:

Como o Prêmio Nobel da Paz de 1964, agora tenho o prazer de propor-lhe o nome de Thich Nhat Hanh para esse prêmio em 1967.

Eu pessoalmente não sei de ninguém mais merecedor do Prêmio Nobel da Paz do que este suave monge budista do Vietnã.

Este seria um ano especial e auspicioso para vocês reconhecerem o seu Prêmio ao Venerável Nhat Hanh. Ele é um apóstolo da paz e da não-violência, cruelmente separado de seu próprio povo enquanto são oprimidos por uma guerra viciosa que tem aumnteda a ameaça à sanidade e a segurança de todo o mundo.

Que honraria mais respeitada do que o Prêmio Nobel da Paz, e atribuí-lo a Nhat Hanh, este próprio seria por si só um generoso ato de paz. Lembraria a todas as nações que os homens de boa vontade estão prontos para conduzir elementos destrutivos fora do abismo de ódio e da destruição. Tratar-se-ia de voltar a despertar os homens para o ensino da beleza e do amor encontrado na paz. Seria útil para reavivar as esperanças de uma nova ordem de justiça e harmonia.

Conheço pessoalmente Thich Nhat Hanh, e tenho o privilégio de chamá-lo de meu amigo. Deixe-me compartilhar com vocês algumas coisas que eu sei sobre ele. Você vai encontrar neste único ser humano uma incrível gama de habilidades e interesses.

Ele é um homem santo, pois ele é humilde e devoto. Ele é um estudioso de imensa capacidade intelectual. O autor de dez volumes publicados, é também um poeta de soberba clareza e compaixão humana. Sua disciplina acadêmica é a Filosofia da Religião, da qual ele é professor na Van Hanh, da Universidade Budista ele ajudou a encontrada em Saigon. Ele dirige o Instituto de Estudos Sociais, nesta Universidade. Este fantástico homem também é editor da Thien My, um influente publicação semanal budista. É o Director de Serviço Social da Juventude, uma instituição vietnamita que instrui jovens para a reabilitação pacífica do seu país.

Thich Nhat Hanh, hoje, está praticamente sem abrigo e pátria. Se ele fosse voltar ao Vietnã, o que ele deseja ardentemente fazer, a sua vida estaria em grande perigo. Ele é a vítima de um exílio particularmente brutal porque ele propõe-se desenvolver a sua defesa da paz para o seu próprio povo. Este é um trágico comentário sobre a atual situação no Vietnã e aqueles que a perpetuam.

A história do Vietnã está cheia de capítulos de exploração por forças estrangeiras, corrompendo homens de poder e riqueza, até hoje o vietnamita sofre, mal alimentados, mal alojados, e sobrecarregados por todas as dificuldades e os terrores da guerra moderna.

Thich Nhat Hanh oferece uma maneira de sair deste pesadelo, uma solução aceitável para líderes racionais. Ele tem viajado o mundo, aconselhando estadistas, líderes religiosos, eruditos e escritores, que recorrem a seu apoio. Suas ideias para a paz, se aplicadas, poderiam construir um monumento ao ecumenismo, à fraternidade mundial para a humanidade.

Eu respeitosamente recomendo-lhes que invistam em sua causa com a reconhecida grandiosidade do Prêmio Nobel da Paz de 1967. Thich Nhat Hanh iria sustentar essa honra com graça e humildade.

Atenciosamente,

Martin Luther King, Jr.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sete Milagres da Plena Atenção

Texto de Thich Nhat Hanh, do livro "A Essência dos Ensinamentos de Buda"

A palavra sânscrita que designa Plena Atenção, smriti, significa "lembrar-se". A Plena Atenção consiste em lembrar-se constantemente de voltar ao momento presente. O ideograma chinês para a Plena Atenção tem duas partes: a parte superior significa "agora" e a parte inferior "mente" ou "coração”.

O Primeiro Milagre da Plena Atenção é estar presente e ser capaz de entrar em contato profundo com o céu azul, a flor ou o sorriso de nosso filho.

O Segundo Milagre da Plena Atenção é fazer com que o outro - o céu, a flor ou nosso filho - também esteja presente. No poema épico vietnamita Conto de Kieu, a heroína volta ao apartamento de seu amado, Kim Trong, e o encontra dormindo em sua escrivaninha, com a cabeça sobre uma pilha de livros. KimTrong ouve os passos de Kieu mas, semi-adormecido, pergunta: "Você está realmente aqui, ou estou sonhando?" Kieu responde: "Agora temos a oportunidade de ver-nos com clareza. Mas se não vivermos este momento profundamente, ele não terá passado de um sonho." Você e seu amado estão aqui juntos. Têm a oportunidade de se olharem profundamente. Mas se não estiverem completamente presentes, tudo não passará de um sonho.

O Terceiro Milagre da Plena Atenção é nutrir o objeto de sua atenção. Quando foi a última vez que olhou nos olhos de sua amada e perguntou: "Quem é você, minha querida?" Não se satisfaça com uma resposta superficial. Pergunte novamente: "Quem é você, que assumiu o meu sofrimento como seu, minha felicidade como sua, minha vida e morte como suas? Meu amor, por que razão você não é uma gota de orvalho, uma borboleta ou um pássaro?" Pergunte com todo o seu ser. Se não prestar a devida atenção à pessoa que ama, estará cometendo uma espécie de assassinato. Quando estiverem juntos fazendo alguma coisa, e se perderem em seus próprios pensamentos, cada um presumindo que sabe tudo sobre o outro, na verdade um estará morrendo lentamente. Mas com Plena Atenção será capaz de fazer renascer uma flor que ia murchar. "Eu sei que você está aqui, ao meu lado, e isso me faz feliz." Através da atenção, você será capaz de descobrir fatos novos e maravilhosos da amada, suas alegrias, seus talentos ocultos, suas aspirações mais profundas. Se você não praticar a atenção apropriada, como pode dizer que a ama?

O Quarto Milagre da Plena Atenção é aliviar o sofrimento de outra pessoa. "Eu sei que você sofre, e é por isso que estou aqui." Pode dizer isso com palavras ou simplesmente pela forma como olha para a pessoa. Se não estiver realmente presente, ou se ficar pensando em outras coisas, o milagre do alívio do sofrimento não se realizará. Em momentos difíceis, se tiver um amigo realmente presente ao seu lado, saberá que é um privilegiado. Amar significa nutrir o outro com atenção. Quando se pratica a Plena Atenção Correta, nós e o outro estamos presentes aqui e agora. "Querida, eu sei que você está aqui. Sua presença é preciosa para mim." Se você não demonstra isto quando estão juntos, no dia em que ela morrer ou sofrer um acidente, você chorará e lamentará o fato de antes do acidente não ter sabido se realmente foi feliz com ela.

Quando alguém está próximo da morte, se nos sentarmos ao seu lado com uma atitude estável e sólida, já será uma enorme ajuda para que esta pessoa possa abandonar esta vida com certa facilidade. Nossa presença será como um mantra, a fala sagrada que tem efeito transformador. Quando seu corpo, sua fala e sua mente estão em perfeita unicidade, o mantra fará efeito antes mesmo que se pronuncie uma única palavra. Os primeiros quatro milagres da Plena Atenção pertencem ao primeiro aspecto da meditação, shamatha - parar, acalmar-se, descansar e curar-se. Depois que você conseguir se acalmar e parar de se dispersar, sua mente ficará autofocalizada e você estará pronto para a contemplação profunda.

O Quinto Milagre da Plena Atenção é a contemplação profunda (vipashyana), que também é o segundo aspecto da meditação. Relaxado e concentrado, você está realmente preparado para olhar em profundidade. Você irradia a luz da Plena Atenção sobre o objeto que observa, e ao mesmo tempo irradia a luz da Plena Atenção para si mesmo. Observa o objeto de sua atenção e ao mesmo tempo enxerga o conteúdo da própria consciência armazenadora que está repleta de jóias preciosas.

O Sexto Milagre da Plena Atenção é a compreensão. Quando entendemos algo, nós dizemos: "Ah, sim, estou vendo." Vemos alguma coisa que não víamos antes. Ver e compreender são processos que surgem dentro de nós. Ao usar a atenção, entramos em contato com o momento presente, profundamente, e podemos ver e ouvir com clareza. Isso gera frutos, que são a compreensão, a aceitação, o amor e o desejo de aliviar a dor e trazer alegria. Quando você entende alguém, não consegue deixar de amar esta pessoa. A compreensão é o verdadeiro alicerce do amor.

O Sétimo Milagre da Plena Atenção é a transformação. Quando praticamos a Plena Atenção Correta, entramos em contato com os elementos curadores e renovadores da vida, e começamos a transformar a nossa dor e o sofrimento do mundo. Passamos a desejar vencer um hábito, como, por exemplo, o hábito de fumar, em prol da saúde de nosso corpo e nossa mente. Quando começamos a praticar, a força de nossos hábitos é mais forte do que a Plena Atenção, por isso não esperamos conseguir parar de fumar de um momento para outro. Mas na verdade só precisamos ter consciência de estar fumando no momento em que fumamos. Ao prosseguir na prática, olhando profundamente e observando os efeitos que o fumo tem sobre a mente, o corpo, a família e a comunidade, adquirimos a determinação de parar. Não é fácil, mas a prática da Plena Atenção nos ajuda a ver com clareza tanto o desejo como seus efeitos, e finalmente encontramos uma forma de parar. Nesse processo, a Sangha é importante. Um homem que visitou Plum Village vinha tentando parar de fumar há vários anos, mas não conseguia. Em Plum Village ele conseguiu parar logo no primeiro dia, porque a energia do grupo é muito forte. "Ninguém está fumando aqui, por que eu iria fumar?" Podemos levar anos para transformar a força de um hábito, mas quando conseguimos, detemos a roda do samsara, o ciclo vicioso do sofrimento e confusão que vem se prolongando há tantas vidas.

Praticar os Sete Milagres da Plena Atenção nos ajuda a levar uma vida mais feliz e saudável, transformando o sofrimento e conquistando paz, alegria e liberdade.